Então… é Natal.
Já dizia Tim Maia…
“Ah!
Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito prá contar
Dizer que aprendi…
E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce prá sofrer
Enquanto o outro ri..
Mas quem sofre
Sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar
Razão para viver…
Ver na vida algum motivo
Prá sonhar
Ter um sonho todo azul
“De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho” – OTM.
Temia fazer um post retrospectivo. É, eu fiz.
Parece que acabou. FINALMENTE, 2011 já deu, já foi tardézimo. Costumo brincar dizendo que nesse ano eu vivi muito mais do que nos outros 17 anos da minha vida, afinal, muita coisa aconteceu e sempre com emoções extremas, intensas. A agonia do começo do ano, quando não fazia ideia do que queria para o vestibular, eu dançando de Mulan em Março (essa parte a gente pode pular), Porto Seguro em Julho (êta…), enfim meus 18 anos em Agosto (a era de pegar I.D. com irmã emprestada, sim, já era), loucura do ENEM em Outubro, demais vestibulares e formatura em novembro, a primeira recuperação da minha vida (ADEUS eletrostática, newton, einstein e quem mais tiver no bolo! Continha agora só de padaria!!)… sem falar na pressão típica de ano de vestibular, intensificada pelo 3º ano. Enfim, foi um ano com muitas coisas difíceis, sim, mas muito, muito bom. Conviver mais com os meus amigos do que com a minha própria família me fez vê-los de uma forma quase que completa, com aqueles defeitos que muitas vezes tendemos a esconder. No estresse comum ao ano, como eu já disse, na angústia, na tristeza e principalmente no cansaço a gente se entendeu, brigou, nos abusamos uns da cara dos outros, e principalmente rimos muito da exaustão, de não poder parar, dos nossos sonhos de férias, de liberdade ainda que tardia. Uma imagem que dificilmente sairá da minha mente é a dos meninos gritando “Meu Deeeeeus, tem condições mais não, tem condições mais não” no final das terças integrais no Damas, ou mesmo a primeira terça-feira do ano, quando a última aula geminada de Física 3 acabou, e teve gente gritando “ALELUIA” e se ajoelhando (pior que é sério), além do “Poema do Cansaço”, de minha autoria. Com certeza esqueci de citar um bocado de acontecimentos e pessoas que durante esses 12 meses ajudaram a construir o que eu sou hoje, tais como os professores, a coordenadora sempre compreensiva pras minhas conversas, os porteiros, os funcionários da cantina, o Máscara e, bem, todos os outros que eu esqueci.
Não gosto de dizer que tudo acabou, sinto às vezes que a ideia de fim é ilusória. Afinal, estou aqui, viva, cheia das memórias de um passado próximo, ainda com os meus amigos. As coisas continuarão, mas de forma diferente! Por falar em futuro, eis o meu drama: meu curso (Relações Internacionais) só tem em duas faculdades de Recife, e eu to precisando ser BEM madura pra aceitar que a melhor delas é homônima ao colégio que estudei a vida toda, pra ser mais exata, desde os 6. Não obstante, é do lado do mesmo. “Vou tentar na Paraíba, vou tentar em Alagoas, vou tentar no INFERNO”. Decidi por esse curso lá pra Junho, e nesse período eu esperneei, reclamei, indaguei (aquele velho e bom…) “Por que logo o MEU curso?”. Pesquisei por outros cursos, pensei em Jornalismo, desisti, pensei em Química, desisti, voltei pra R.I. e me apaixonei mais ainda. Não tem jeito… fui lá, assisti uma aula na faculdade pra ver o que eu achava e surpreendi a todas as minhas expectativas: é – tudo – completamente diferente. Assisti uma aula de Introd. às Relações Internacionais com um cara incrível, cônsul de Malta. O conteúdo me fez babar a aula toda, também as pessoas, o clima, a sensação: a liberdade. Enfim, não quero me prolongar. Coloquei o mais próximo de R.I. que tinha UFPE; Ciência Política com ênfase em R.I., porque, afinal, alguma coisa eu precisava colocar lá (mas foge muito do que eu desejo, é basicamente política, e só). Ao contrário do que 99% das pessoas pensam (com uma margem de erro de 1% para mais), não é tão fácil assim entrar, e isso me deixa ainda mais insegura. As pessoas têm aquela ótima mania de julgar os outros, se alguém não passa em Direito na UFPE, tudo bem, porque é Direito, mas já C.P./R.I… mas mal sabem que a diferença de média entre as duas é de apenas 3 décimos. Mimimis à parte, passei na Damas, e to muito feliz sim senhor. Como mais cedo ou mais tarde a gente precisa aprender a tomar decisões, larguei a babaquice e o preconceito, procurei saber da qualidade do curso, dos professores e eis que já tenho muitos planos: curso de inglês pela manhã, vida boa (e estudo) à tarde, faculdade à noite e pro segundo semestre, quem sabe, um intercâmbio pra aprimorar o engrix. Tive ótimas notícias e referências do curso, o cara que programou essa área na Faculdade Damas é pai da minha amiga que também quer R.I. e também vai fazer lá, resumindo: tive a oportunidade de estar mais próxima da real qualidade do curso e definitivamente não tenho do que reclamar, só agradecer pelo fato dos meus pais poderem pagar mais alguns anos de estudo pra mim. Se passar na UFPE, realmente precisarei de umas sessões a mais na psi pra decidir o que vou fazer da minha vida. Rumo incerto. Provável que comece as duas, talvez apenas por orgulho de entrar numa faculdade pública (aê galera, aqui o negócio é 100% sinceridade, 0% hipocrisia, sem julgamentos porfa) não aguentando, tranco a Federal. 90% das minhas amigas passaram na Católica, então estaremos todas no mesmo barco de universidade e vida nova, ainda bem! To feliz, to de vento em popa. Espero realmente que 2012 seja leve, tranquilo, mais constante que 2011 e, claro, pra não perder o costume: cheio de paz.
Quão difícil é escarnar sua alma pras pessoas, já que o pensar diferente assusta tanto? E sim, pensamos todos diferentemente uns dos outros. A opinião oposta, além de ofender (e só Deus sabe o porquê), espanta tanto quanto a chegada de um possível segundo Sol. Sim, um outro Sol, que realinharia a órbita dos planetas, uma opinião tão certeira que mudaria a de todos que estão ao redor. Os astrônomos, espertalhões (ou covardes), diriam se tratar apenas de um outro cometa: algo passageiro, apenas mais uma idéia louca, na contramão, sonhadora e que vai de encontro ao que já estamos acostumados: tradição. Ou apenas um único Sol.
Quando muitas pessoas têm a mesma opinião, e eu uma distinta, fico BEM intrigada, ou mesmo quando um caso é notadamente “maquiado”. O que existe por trás, de tão importante, que não pode ser mostrado? O caso dos estudantes da USP, por exemplo. Não pretendo me prolongar nesse ponto, extremamente cansativo, mas tenho pra mim que a Globo esqueceu de falar da politicagem que rolou com a entrada do reitor, ridicularizou a questão da maconha e esqueceu da guarda universitária decadente e desgastada da USP, que deveria proteger os estudantes por lá, daí, sem necessidade de PM. Não consigo, de forma alguma, entender como se invalida argumentos de estudantes, futuro do País, por causa de um casaco “GAP”. Entendo, obviamente, toda a riqueza que está por trás dessas roupas de marcas, mas não consigo encontrar um sentido lógico que me faça invalidar uma opinião por causa de riqueza ou pobreza. Tenho grandes dificuldades em identificar falácias, mas vejo uma gritante nesse caso. É preconceito puro. Tenho pra mim que as coisas são muito mais profundas e complexas, e quem só vê por uma fonte limita completamente o pensamento. Estudando História pro vestibular aprendi que a dúvida nos fatos históricos aproxima o historiador da verdade. Parece confuso, mas ter uma só fonte histórica (seja ela material, iconográfica, escrita…) não assegura muita coisa. Bom mesmo é a dúvida, ou pelo menos uma outra visão. O questionamento intriga e faz pensar. No vestibular eu seria obrigada a concordar caso me deparasse com alguma proposição que afirmasse que a dúvida é mais certeira do que uma visão isolada. Na vida, eu posso escolher. Continuarei, enquanto tiver paciência, procurando outras fontes e buscando a verdade dos fatos. Algo que também muito me estranhou, logo no primeiro momento, foi toda bondade e compaixão do vídeo dos globais falando da Usina de Belo Monte. Tão bonitinho e bem editado (Juliana Paes, sua linda!). E, mais do que isso: a repercussão. De repente, (numa velocidade incrível) 80% das pessoas do meu Facebook tavam lá, compartilhando, indignadas com a própria falta de compromisso social. Índio? Existe índio, ainda? Eu educo meus filhos, e ainda preciso me preocupar com uma Usina que vai ser construída lá no Pará? Precisa, flor. Mas bora ver, né? É pra se preocupar e usar o raciocínio ou digerir a informação pronta? É pra pesquisar ou Nathalia Dill já fez isso por mim? Muita pergunta, pouca resposta. Muita escuridão, pouco Sol. Enfim, no meu livre arbítrio, decidi pesquisar. Encontrei algo interessantíssimo, esse vídeo, que compartilho: http://youtu.be/feG2ipL_pTg . Como disse o estudante no final, só pra que haja um debate (afinal, né?) mais justo, ainda não tenho uma opinião formada sobre, justamente pela falta de fontes seguras, que me mostrem as coisas como são, nuas e cruas. Enquanto eu fico esperando esse tal segundo Sol aí, vou levando do jeito que dá, esperando a vida arder. Do jeitinho que Nando Reis descreveu: sem explicação.
Imagem: Nascer do Sol em Porto de Galinhas, às 4h:30 da manhã, com muito sono.
“O segundo Sol simboliza uma outra opinião (…) o sentido dessa metáfora é justamente de você relativizar as coisas e não crer que há uma verdade absoluta. Uma segunda opinião, uma segunda forma de olhar é o mínimo que se pode ter sobre qualquer coisa” (sic) - Nando Reis.
Um print pra agardecer aos 4 novos followers com apenas uma semaninha de blog. Muito obrigada: Flávio, Monique, Clara e Gabi. =)
Quem é você? Quem é você? Quem é você? Não importa, muito obrigada, (Gabi?)! Mesmo!
Gente, fiz um Blog. Ou quase isso.
Sem regras, sem muita formalidade, sem motivo, sem nada. Talvez só com um pouco de vontade de falar da vida, das coisas ao redor, do mundo e da visão que eu tenho dele, em mais de 140 caracteres, por favor! (Twitter, mais do que um site: um vício). Como eu ADORO dar uma de psicóloga, fiquei me indagando horas, claro, o porquê dessa vontade, assim, logo um dia depois da prova (gente, vestibular não é utopia, um dia chega!) que pode decidir o meu futuro. Cascavilhando todas as possibilidades, e me prendendo à qualquer vago pensamento que pudesse me dar alguma dica do que anda pelo meu inconsciente, lembrei do “Texto I” que estava bem no início (faz sentido?) da minha linda prova de Português II da Universidade Federal. Segue um trecho abaixo:
“Ler para quê? Uma forte razão: para redesenhar, com outro perfil, o quadro acima, por exemplo. Os objetivos da leitura, porém, ultrapassam esses limites. Lê-se por paixão, por sede, por prazer. Lê-se por necessidade pessoal e intelectual de sentir-se pertencente ao gênero dos pensantes em constante ebulição. Lê-se por deleite e fruição estética. Lê-se para dialogar à distância com aquele que respondeu antecipadamente às nossas interrogações, inquietações e dúvidas. Lê-se para reafirmar propósitos e crenças ou, ainda, para guardar esperanças. Lê-se para buscar informação, para investigar, para descobrir o avesso do que transparece. Lê-se para rir, para emocionar-se, para tranqüilizar-se. Lê-se para discordar e contrargumentar. Lê-se para melhor escrever. Lê-se para encontrar afinidade com o desejo do outro. Lê-se para chamar o sono e atrair belos sonhos. Lê-se para passar o tempo e relaxar os nervos. Lê-se para conhecer o passado, compreender o presente e desvendar o futuro. Lê-se para tentar fazer avançar o domínio do homem sobre o universo. Lê-se para chegar a atingir níveis cada vez mais altos de arte, ciência e técnica. Lê-se para esquadrinhar os insondáveis mistérios da criação. Lê-se sobretudo para sair-se transformado de cada vivência no fascinante mundo da leitura…” (Gisela da Rocha e Silva Guidi).
Acho que posso substituir “ler” por “escrever”, e entender o motivo do nascimento desse “blog”. Escrever pra quê? Pra botar pra fora uma ou outra coisa que se passa aqui por dentro. Não sou criativa, não tiro 10 em tudo, e, segundo uma psicóloga (uma de verdade, com diploma) sou um tantinho fechada. Portanto, já vou logo pedindo: Nossa Senhora da Frouxidão, dai-me coragem, não arrependimento e pessoas compreensivas ao lerem o que escrevo (aproveitando a vibe de pedidos, se der rola uma vaguinha na Federal? Valeu).